Dentro de mim

Eu que, confesso, nunca ter sentido grande vocação para ser mãe ( as mamãs mais atentas deste blog sabem que foi uma gravidez não planeada) sinto aos 7 meses de gravidez uma avalanche de sentimentos, um turbilhão de emoções dentro de mim.
A Leonor decidiu vir numa altura em que estava a viver com o papá dela há apenas 3 meses e numa altura em que me estava a conseguir lançar profissionalmente numa profissão que me realizava (e realiza, apesar de me sentir muito diminuida neste momento).
Apesar do choque inicial, e depois da reacção de felicidade por parte do pai e avós, fiquei muito feliz com o facto de ser mamã.
Mas com o aproximar do momento em que vou, pela primeira vez, ser mãe, o medo percorre-me a espinha. Não o do momento do parto, tampouco o da dor das contracções ou do pré-parto. É o outro medo, mais profundo, que agora vos descrevo, com um nó na garganta:
- o de não saber cuidar da bebé como deve ser, dada a inexperiência que tenho
- o de não conseguir entender porque chora
- o de não conseguir entender porque choro
- o de deixar de ser filha (e sei que ainda sou a pequenina da minha mãe) para passar a ser mãe de uma pequenina
- o de não saber cozinhar as sopinhas para ela (sou um desastre na cozinha, confesso)
- o de não saber ser mãe e esposa ao mesmo tempo (alguma há-de ficar para trás)
A única certeza que tenho é o amor que já sinto por ela. Mas será o amor suficiente? O que fazer quando estiver com ela sozinha? Será que vou saber amamentá-la, dar-lhe o banhinho, vesti-la sem a magoar? Filha, amo-te. Desculpa.
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